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Lançamento do Livro Casa de Papelão

de José Marcos de Sousa

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Livro Casa de Papelão 



A Prefeitura Municipal de Muriaé e a Fundarte - Fundação de Cultura e Artes de Muriaé, através da Lei Alcyr Pires Vermelho, convidam sua exma Família para o lançamento do livro Casa de Papelão de José Marcos de Sousa.

Ilustrações de João Carlos Pereira Vargas



Dia: 09/09
Horário: 19:00h
Local: Biblioteca Municipal Vivalde Wenceslau Moreira


Lembrar, narrar: vidas em fantasias numa Casa de Papelão
Luiz Claudio Ferreira Alves, psicólogo.

      Em sua obra “O que é Brinquedo” (3 ed.Brasiliense, 2010) Paulo de Salles Oliveira faz uma diferenciação entre o brinquedo eletrônico e aquele construído pela criança frente a inerência existencial do brincar. Para o autor, no jogo eletrônico a criança apenas responde com respostas aceitas pelo jogo programado, não cabe a inventividade de algo novo apenas a descoberta do já previsto.      
      Que fantasias a criança do século XXI irá narrar em suas lembranças? Que fizeram das fantasias das brincadeiras das crianças do novo século?
      A constituição do sujeito psíquico-subjetivo-físico-emocional passa necessariamente pelo brincar que no fantasiar que emerge constrói seu mundo e passa a vivê-lo na intensidade que o constitui. Dialoga-se com os animais, sente-se protegido pelas fadas, constroem-se florestas encantadas e outras assustadoras. 
      Vive-se a experiência constitutiva do ser em detrimento de apenas uma vivência rotineira de um cotidiano planejado por outrem. As experiências infantis sustentadas no fantasiar do brincar, na viagem de trem em que cada curva pode desvelar o mundo imaginado ou nas tentativas de decifrar os sons orquestrais da natureza ritmados pelo vento ou cantos e uivos de animais vistos e imaginados povoam um mundo anunciado a cada hora do dia e da noite. 
      Experiências das crianças nos amplos quintais de diversidades frutíferas a provocarem olhares em suas multicores matinais atraindo pássaros policromáticos e de piados vários. Se amedrontadas pela sombra da frondosa árvore, é na escuridão do quarto de dormir que o desejo das descobertas adiadas será retomado para a satisfação da tensão do existir em constantes e diferenciados modos de percepção do mundo em construção.
      Ali, na intensidade das explorações de cada canto dos quintais de uma infância que em muito se diferencia dos cubículos a comporem as encostas dos morros a se desmancharem a cada chuva ou do limitado corredor do prédio de muitas moradias na urbe contemporânea. Vizinhos que desconhecem aquele que passa em apressados passos cotidianos.
      De que experiências constitutivas de si narrarão os adultos de vivências infantis no século XXI?
      As intensidades das experiências de uma infância de fantasias e imaginação cabem em uma Casa de Papelão: para a chuva, um barquinho de papel; para o medo, a proteção de uma Fada Madrinha; para descobertas, a curiosidade da investigação; para a viagem da família, o Trem Maria Fumaça e assim as composições existenciais cabem no tamanho que se der a casa da imaginação.
      Cabem ali, dizeres e fazeres de um existir em que o brincar é repleto da capacidade inventiva a aguçar meios e formas para que se concretize em um pé de frutas, no riacho que passa, na leveza da brisa, nas pétalas orvalhadas da flor que se abre em mais uma primavera.
      Aos poucos, a Casa de Papelão (Edição do autor, 2012), de José Marcos de Souza se agiganta e abriga a todos em suas constitutivas e intensas experiências existenciais. Em algumas poucas páginas comporta tantas vidas e modos do existir que nos provocam mais atentos aos enquadramentos limítrofes da atualidade. As narrativas que emergem da Casa, ganham cores e vida nos desenhos de João Carlos Pereira Vargas, a nos remeter aos cenários das experiências em fantasias e realidade.
      É um diário das fantasias – composição da vida de todos nós! Um alerta para as vidas de todos os outros que temos feito de nós em constantes devires nos modos do existir contemporâneo.


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